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Toyota vende mais de 10,5 milhões em 2025, mas Kenta Kon quer simplificar a gama

Carro desportivo branco Toyota Supra apresentado em exposição moderna com piso reflexivo.

A Toyota mantém-se na liderança do mercado automóvel mundial. Em 2025, entregou mais de 10,5 milhões de veículos - somando também os modelos da sua marca premium, a Lexus - o que representa um aumento de 3,7% face a 2024. Ainda assim, o seu diretor-executivo, Kenta Kon, deixa claro que estes resultados não o satisfazem.

Apesar de, pelo sexto ano seguido, continuar a ser o maior construtor automóvel do mundo, a Toyota Motor Corporation perdeu recentemente um título simbólico no Japão: no início deste mês, foi ultrapassada pela SoftBank Group Corp. como a empresa japonesa mais valiosa em capitalização bolsista.

A descida, porém, não parece ter apanhado a empresa desprevenida. Pelo contrário, a julgar pelas palavras do próprio Kenta Kon, a Toyota já terá apontado os fatores que explicam esta mudança.

Toyota e a perda do topo em capitalização bolsista no Japão

Recém-chegado ao cargo, Kenta Kon descreve um problema que não é evidente nos números de vendas: a crescente complexidade do catálogo de modelos.

Segundo o gestor, nas visitas que fez a centros de desenvolvimento encontrou equipas de engenharia sob pressão para responder a um portefólio cada vez maior, com várias variantes e especificações a terem de ser acompanhadas ao mesmo tempo.

Na sua perspetiva, este alargamento está a gerar custos operacionais significativos e poderá estar a reduzir a eficiência global. Citado pela Automotive News afirma: “Se forem a uma divisão de desenvolvimento, vão ver problemas como o aumento do número de diferentes especificações e variantes que estão a ser criadas, o que, por sua vez, está a aumentar os custos”.

Para o líder da gigante nipónica, “se houver áreas nessas atividades que não sejam realmente trabalho de valor acrescentado, ou em que o trabalho não esteja a ser feito de forma eficiente, precisamos de lhes dedicar uma análise mais atenta”.

Complexidade a mais

O diagnóstico interno aponta para uma questão menos ligada à procura e mais relacionada com a forma como a oferta foi crescendo. A Toyota expandiu-se praticamente em todas as tecnologias - combustão, híbridos, híbridos plug-in, elétricos e, em alguns mercados, até diesel - formando uma das gamas mais amplas de toda a indústria automóvel.

Esta estratégia de “cobrir todos os cenários” tem sido um elemento central do sucesso da marca. No entanto, começa agora a levantar dúvidas sobre a eficiência e a rentabilidade de cada modelo.

Menos pode ser mais

Embora ainda não exista confirmação sobre que modelos poderão sair de cena e apesar de a Toyota afastar a ideia de cortes abruptos na abordagem multienergia, já há indícios de que está em curso uma revisão estratégica.

Um caso que se destaca é o fim do desenvolvimento do Lexus LF-ZC. Apontado como rival do novo BMW i3, o projeto acabou por ser cancelado, tanto pela incerteza em torno da procura por esse tipo de carroçaria como por um reforço da aposta em SUV/Crossover.

“Temos vindo a ganhar cada vez mais capacidade para identificar situações que não parecem estar a funcionar corretamente, áreas onde as operações se tornaram menos eficientes ou onde aumentou a quantidade de trabalho que não acrescenta valor direto. Estamos agora numa fase em que podemos começar verdadeiramente a resolver esses problemas, corrigindo falhas e implementando melhorias”, concluiu o executivo.


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