Chiça, que coisa é esta?
Diz olá ao AC Schnitzer ACS2 4.0i, um nome curto só na ironia: no fundo, é um BMW M240i xDrive com algumas modificações selecionadas e uma dose generosa de apontamentos estéticos.
A AC Schnitzer apresentou o seu pacote de upgrades em julho do ano passado, com o grande destaque a ser o aumento de potência dos 369bhp de série para 414bhp, enquanto o binário subiu do mesmo ponto de partida - 369lb ft - para uns sólidos 443lb ft.
Só que há um senão: praticamente tudo o que a AC Schnitzer faz pode ser encomendado à peça e, no caso deste carro de teste no Reino Unido, não há reprogramação do motor. Traduzindo, ficas limitado aos elementos aerodinâmicos, a alguns detalhes no habitáculo, às novas jantes flow-formed de 20 polegadas (aprox. 508 mm), a uma linha de escape cat-back com quatro saídas e a uma nova suspensão passiva que baixa a altura ao solo até 25mm.
Mas espera lá: o emblema atrás diz que tem um motor 4.0 litros?
Exatamente - e também nós não percebemos por que motivo a AC Schnitzer foi buscar o ponto decimal para chegar à designação ACS2 4.0i. Mesmo que assinalasses a opção do upgrade de motor, perto de £5,000, continuarias a levar o seis cilindros em linha 3.0 turbo do M240i, apenas com uma nova ECU para libertar mais desempenho.
Isto não é propriamente mau: o motor (e muito mais) vem “emprestado” do M440i, maior, e tem força de sobra para o coupé mais pequeno da BMW. Ainda assim, fica o aviso: é bem provável que alguém te pergunte se fizeste uma troca de motor ao teu Série 2 novo.
Por isso, talvez fosse mais simples pedir-te para ignorares os emblemas. Mas no ACS2 4.0i isso torna-se complicado: contamos nada menos do que 25 logótipos diferentes da AC Schnitzer, por dentro e por fora.
Então, o que achas do visual?
Já tornámos pública a nossa opinião sobre o Série 2 Coupé de série, por isso faz mais sentido começar por listar o que a AC Schnitzer acrescenta. Há um splitter dianteiro em plástico, um pequeno spoiler no tejadilho, uns curiosos elementos no spoiler da mala que parecem sobrancelhas e ainda uma faixa de proteção que atravessa o para-choques traseiro por baixo da tampa da bagageira.
Este exemplar traz tudo isso e não há como negar que o M240i ganha um ar mais agressivo. Uns vão gostar mais do que outros, é certo. Mesmo assim, a alteração estética que mais resulta pode ser a troca das saídas oblongas do escape de origem por quatro ponteiras redondas.
E mais importante: como é que isto anda?
A maior diferença face ao M240i de fábrica está na suspensão: a AC Schnitzer opta por um sistema passivo em vez da suspensão adaptativa opcional (£550) que a maioria dos compradores do M240i deverá escolher.
A afinação da Schnitzer é competente e não fica excessivamente rígida para estradas portuguesas. Em irregularidades maiores pode soar um pouco seco, mas fica a sensação de que isso se deve sobretudo às jantes demasiado grandes e aos flancos muito baixos dos pneus. No geral, o conforto é aceitável e o ruído de rolamento não incomoda.
Em estrada sinuosa, as novas molas e amortecedores reduzem o adornar da carroçaria e aumentam a confiança ao volante, dando ao M240i um temperamento mais desportivo e afastando-o ligeiramente do “irmão” M440i.
Além disso, mesmo sem o upgrade de motor, não lhe falta andamento. A BMW aponta 4.3 segundos dos 0-100 km/h (0-62mph), e a tração integral com predominância traseira garante aderência quase inesgotável. Ainda assim, talvez fizesse sentido a AC Schnitzer ter pensado num upgrade de travões: de origem, o pedal é demasiado esponjoso e um tacto mais consistente encaixaria melhor nas intenções desportivas do ACS2.
Também não notámos uma mudança dramática no som do seis-em-linha com o novo escape, embora a direção fique ainda melhor do que no M240i de série graças às jantes um pouco mais leves em cada canto e ao novo volante.
Pois, e essas alterações no interior que mencionaste?
O volante é o elemento que mais salta à vista. Comparado com a solução da BMW, mais grossa e volumosa, este em pele/Alcântara tem um desenho mais esculpido e é muito mais agradável de usar.
Mesmo assim, o botão do aquecimento montado ao centro continua lá - apesar de não existirem, na prática, quaisquer resistências de aquecimento no volante. Irritante.
A AC Schnitzer acrescenta também patilhas de caixa ao estilo “knuckleduster” atrás do volante, além de pedais em alumínio e apoio de pé. É bom ver que não exageraram, mas sejamos honestos: com que frequência é que alguém passa tempo a admirar os pedais?
Vá lá, quanto custa isto tudo?
Pergunta justa. No nosso carro de teste, a fatura total dos upgrades chegou às £14,500, já com mão de obra para montar os componentes. Dói.
Separadamente, estás a olhar para quase £4,000 só para o escape, £544 para o estranho spoiler duplo da mala, perto de £5,000 para as jantes e £2,150 para a suspensão. E não te preocupes se o teu M240i já vier com suspensão adaptativa: a AC Schnitzer também remove as alterações de software associadas, ao mesmo tempo que substitui o hardware.
Ah, e o conjunto de autocolantes deste carro custou mais £72.66 - por isso, se quiseres cortar na despesa, há uma caixa fácil de não assinalar.
Então, qual é o veredito?
Gostamos muito do M240i xDrive de série, por isso não surpreende que tenhamos apreciado uma versão de preparador com alterações leves. Ainda assim, há bastante material da AC Schnitzer de que provavelmente dispensávamos - sobretudo no capítulo do estilo.
E como o BMW de origem começa atualmente nos £49,130 antes de opcionais, este ACS2 em particular passa, na prática, a ser um carro de £63,630. É muito dinheiro por um Série 2 e, mesmo sem termos conduzido a versão “final” com o upgrade do motor, quase de certeza que gastaríamos o extra para ficar com um G87 M2 de £64,745.
Fotografia: Jonny Fleetwood
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