A espera acabou. Depois da apresentação oficial realizada hoje em Le Mans - onde estivemos no contexto da mítica corrida de resistência que decorre este fim de semana -, a Peugeot abriu as encomendas do novo E-208 GTi e anunciou o preço para Portugal: 44 900 euros.
Para a marca francesa, trata-se de um passo com forte carga simbólica. Por um lado, volta a colocar em cena uma das siglas mais marcantes do seu historial - o 308 GTI, descontinuado em 2020, foi o último a ostentá-la. Por outro, marca o início de um novo capítulo para a família GTi: pela primeira vez, um GTi é totalmente elétrico.
O mais rápido do segmento
Assinado pela Peugeot Sport, o novo Peugeot E-208 GTi utiliza o motor elétrico M4+, com 281 cv e 345 Nm de binário. Estes valores colocam-no entre os compactos desportivos elétricos mais rápidos da sua categoria.
O arranque dos 0 aos 100 km/h faz-se em apenas 5,5 segundos - menos 0,2 segundos face ao que a marca tinha indicado inicialmente - e a recuperação dos 80 km/h aos 120 km/h demora só 3,2s. Já a velocidade máxima fica limitada a 180 km/h. É um número relativamente contido, mas alinhado com alternativas elétricas semelhantes, como o Alpine A290 e o também já apresentado Volkswagen ID. Polo GTI.
Ainda assim, a abordagem não se resume a potência ou acelerações em linha reta. A equipa por detrás do programa do Hypercar 9X8 trabalhou igualmente no chassis, na suspensão e na gestão térmica do conjunto de baterias.
Daí resulta um modelo com vias mais largas - 56 mm à frente e 28 mm atrás -, suspensão mais baixa em 25 mm, nova barra estabilizadora traseira de 31 mm, diferencial autoblocante mecânico e travões dianteiros com discos de 355 mm e pinças de quatro pistões.
Autonomia até 375 km
A bateria mantém a capacidade bruta de 54 kWh (51 kWh úteis), mas passa a contar com uma calibração específica para lidar com um tipo de utilização mais exigente.
De acordo com a Peugeot, o sistema de arrefecimento foi desenvolvido para assegurar prestações estáveis mesmo durante condução desportiva prolongada, evitando que o sobreaquecimento da bateria provoque limitações de potência.
Consoante os pneus selecionados, a autonomia WLTP situa-se entre 352 km e 375 km (em processo de homologação). De série, o E-208 GTi vem com Michelin Pilot Sport 4S, aos quais corresponde o valor mais baixo de autonomia. Para quem privilegia mais quilómetros por carregamento, existe a possibilidade de escolher, sem custo, o conjunto Hankook Ventus S1 Evo3.
ADN GTi reinterpretado
No capítulo estético, o Peugeot E-208 GTi vai buscar várias piscadelas de olho aos históricos 205 GTi. As jantes perfuradas de 18″, os apontamentos em vermelho distribuídos pela carroçaria e um interior dominado por vermelho e preto são algumas das referências mais evidentes.
No habitáculo, sobressaem ainda os bancos específicos inspirados nos 205 GTi originais, o volante forrado a Alcantara e um painel de instrumentos com grafismos exclusivos.
Mais do que um exercício de nostalgia, o Peugeot E-208 GTi procura transportar o ADN GTi para a era elétrica. Falta perceber se conseguirá gerar um impacto semelhante ao de modelos como o 205 GTi ou o 208 GTi (gasolina) junto dos entusiastas.
A resposta surgirá quando os primeiros exemplares começarem a circular nas estradas portuguesas.
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