Isso parece bem chporty para uma carrinha de caixa aberta, não?
Boa observação. O que temos aqui é a Ford Ranger MS-RT, e é precisamente esse conjunto de quatro letras que manda em tudo o resto. Se és do tipo que segue ralis ou que não resiste a uma Transit carregada de extensões de carroçaria, é provável que já saibas que MS-RT significa M-Sport Road Technology (Tecnologia de Estrada M‑Sport).
A marca nasceu como parceira da equipa Ford de ralis M‑Sport, liderada pelo lendário Malcolm Wilson, e hoje dedica-se quase por completo a criar kits de estilo personalizados para veículos comerciais da Ford. É um percurso pouco óbvio, mas gostamos do que esta equipa do sul do País de Gales tem vindo a produzir.
E não somos os únicos: a procura parece estar do lado deles. Tanto assim é que a Ford vai abrir uma segunda unidade MS‑RT dentro das instalações da Ford em Dagenham, em 2022. Ou seja, ainda vêm aí mais modificações.
O que muda face a uma Ranger “normal”?
A MS‑RT não foi propriamente ao limite com esta Ranger. Em vez de partir da Raptor (a mais próxima de uma “Baja”), a base é a Wildtrak - que já vem bem equipada. Uma escolha menos entusiasmante.
Além disso, o conceito é claramente mais virado para estrada. Por isso encontras jantes OZ Racing de 20 polegadas (cerca de 51 cm) com pneus de asfalto, um “arco desportivo aerodinâmico” a atravessar a caixa de carga e um kit exterior MS‑RT completo (ainda que um pouco contido).
As cavas das rodas foram alargadas, os para-choques dianteiro e traseiro prometem um ar mais agressivo do que na Wildtrak, e surgem embaladeiras de visual mais desportivo, além de capas dos espelhos com efeito “carbono”. Não contes ver muitas MS‑RT enterradas até aos eixos em lamaçais.
Suponho que também tenha uma mecânica reforçada a condizer com o visual?
Pois… não. Por baixo, isto é essencialmente uma Wildtrak sem alterações mecânicas, pelo que a única opção é o já conhecido 2.0 EcoBlue Diesel biturbo da Ranger. Traduzindo: 210 bhp e 500 Nm de binário (aprox.) enviados às quatro rodas através de uma caixa automática de 10 velocidades. Não é exactamente algo “nascido nos ralis”.
Dito isto, o conjunto é sólido e já está mais do que testado. O diesel torna-se bastante audível quando sobes de rotação, mas se deixares a MS‑RT fazer o seu trabalho (e ignorares o modo Sport da caixa) ela comporta-se sem dramas em estrada.
Só não esperes sensações de direcção e travagem ao nível de um automóvel, sobretudo se vieres de um SUV - como acontece hoje com muitos compradores deste tipo de carrinha. Continua a ser, no essencial, um veículo comercial. E, sem carga, a suspensão também tende a ser um pouco firme e aos ressaltos.
A vantagem de manter este grupo motopropulsor é que a MS‑RT conserva aquilo que realmente interessa no uso diário de trabalho. Conta com capacidade de reboque de 3.500 kg, carga útil até 1.098 kg e modos 2WD/4WD seleccionáveis. Manténs igualmente redutoras, controlo de descida e diferencial traseiro bloqueável. Apenas convém ter atenção aos para-choques em plástico quando o piso ficar mesmo exigente.
E por dentro, como é?
Aqui volta a haver sobretudo “cirurgia” estética. O habitáculo da Ranger no topo de gama já é bastante competente, com bons ecrãs (o central é de 8 polegadas, cerca de 20,3 cm), conectividade Apple CarPlay e materiais pensados para limpar sem complicações. Na MS‑RT entram bancos em pele robustos, mas com bom apoio, costuras em contraste laranja e, claro, uma boa dose de emblemas e apontamentos de edição especial.
Um ponto a reter: no Reino Unido, a MS‑RT só é vendida com cabine dupla de cinco lugares. Nos mercados com volante à esquerda existe a possibilidade de uma Super Cab de duas portas, bem mais interessante - embora menos prática.
Quanto é que isto me vai custar?
Ainda não há um valor oficial. A Ford não publicou, por agora, o preço da MS‑RT, mas posiciona-a lado a lado com a Raptor no topo da gama de pick-ups.
No entanto, devido à carga útil, é possível recuperar o IVA ao registar a MS‑RT como veículo comercial, pelo que o valor final deverá ficar algures em torno das £40.000. Não é propriamente barato.
A Ford não acabou de anunciar uma nova Ranger?
Sim. E, já agora, provavelmente devias sair mais. Mas é verdade: a próxima geração da Ranger já foi revelada.
Ainda assim, a Ford diz que, no Reino Unido, só deverá abrir encomendas no final de 2022, e as primeiras entregas não acontecerão antes de 2023. Portanto, falta algum tempo. Até lá - a menos que queiras mesmo estas pequenas diferenças de estilo - o mais sensato será poupar algum dinheiro e ficar com a Wildtrak.
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