Volvo Cars e a concorrência chinesa na Europa
Nos últimos anos, a concorrência chinesa tem surgido como uma das grandes inquietações da indústria automóvel europeia. Erik Severinson, diretor-comercial da Volvo Cars, afasta essa leitura.
Na perspetiva do responsável, a entrada de marcas chinesas no mercado europeu não é um “problema” para ser resolvido, mas antes um incentivo. “É preciso gostar da concorrência - ela torna-nos melhores”, afirmou.
Falando no Congresso Anual da Automotive News Europe, Severinson reforçou que, enquanto construtor europeu, é importante olhar com interesse para o que os rivais chineses fazem bem e perceber de que forma isso pode ser aproveitado. “Enquanto construtor europeu, temos de ser curiosos sobre o que os rivais chineses fazem bem e como podemos beneficiar disso. Claro que eles vêm para a Europa e teremos de competir. Estou ansioso por isso”, disse.
O que a Volvo pode observar nas marcas chinesas
Recorde-se que a Volvo Cars integra o grupo chinês Geely, o que lhe dá acesso direto a tecnologias e a processos que têm ajudado os construtores chineses a prosperar, muitas vezes em contraste com os europeus.
Para Severinson, a diferença não se esgota no produto. O modo como estas marcas se relacionam com os clientes - e a forma eficaz como conseguem vender carros online - é “algo que os europeus deviam observar”. Na sua opinião, tanto a experiência de compra como as relações pós-venda são domínios em que a Europa ainda tem margem significativa para evoluir.
Ainda assim, o diretor-comercial sublinhou que nem tudo o que resulta na China será automaticamente replicável na Europa. Apontou, em particular, a preferência de muitos consumidores chineses por velocidades baixas e por sistemas avançados de assistência ao condutor (ADAS). “Somos bons noutras coisas”, disse.
Tem solução para termos elétricos mais baratos
Durante a conferência, Severinson abordou também a eletrificação e a natureza imprevisível do setor. Para si, o facto de as taxas de adoção variarem tanto entre mercados torna pouco fiável qualquer projeção global.
Híbridas plug-in, XC60 e conformidade com a Euro 7
Para gerir essa incerteza, a Volvo planeia manter motorizações híbridas plug-in na sua gama “durante, pelo menos, mais um ciclo de produto”. O construtor prepara uma atualização profunda destas motorizações no XC60, com o objetivo de garantir conformidade com a futura norma Euro 7. Em paralelo, a autonomia elétrica destes novos sistemas híbridos plug-in deverá crescer de forma expressiva, para cerca de 200 km em ciclo combinado WLTP.
Severinson admite que o preço dos modelos 100% elétricos continua elevado, mas defende que a via mais eficaz para reduzir custos e acelerar a adoção passa por apostar em carregamentos rápidos. O raciocínio é direto: baterias menores permitem carros mais baratos, mas isso só faz sentido se a rede de carregamento for suficientemente rápida para compensar a autonomia mais curta.
“O maior custo de um elétrico é a sua bateria. Se puder cortar a bateria ao meio, consigo reduzir em 30% o custo do carro. Este é o caminho a seguir.”
Erik Severinson, diretor-comercial da Volvo Cars
Ainda assim, o diretor-comercial considera que aprender com os construtores chineses, por si só, não chega. Para competir, a Europa terá também de reforçar a produção de baterias, assegurar o acesso a matérias-primas e expandir a rede de carregamento.
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